domingo, 11 de novembro de 2012

Poder ou Saber

  Estar presa a algo ou a alguém nunca foi de todo o meu sonho, alias nunca me imaginei a partilhar a minha vida com outra pessoa.Sempre ou quase sempre que alguém me abordava a cerca da questão do amor, respondia sem qualquer medo, que amar era para os tolos, para aqueles que gostavam se sofrer ou até mesmo para os que não tinham vida própria e queriam ter outra para cuidar... Lembro-me vagamente de alguém se ter sentado ao meu lado e me ter questionado, sem quê nem para quê  se algum dia eu gostaria de me casar, fiquei um tanto ou quanto à nora, sem saber ao certo o que responder, sendo o que me surgia na cabeça aquela pergunta mal criada de "o que tem a ver com o que eu quero ou não?", mas achei que não o deveria fazer, pois ninguém tinha culpa das minhas escolhas ou das minhas mas disposições. Depois de um turbilhão de pensamentos me encherem a mente, saiu-me algo do qual nem eu esperava, a minha resposta foi fria, convicta e fundamentada por um querer inexplicável, disse sem medo "a vida dará muitas voltas até eu ter de decidir o que realmente quero ao não, neste momento sou uma miúda de 13 anos que nada sabe sobre a vida  ou sobre o amor", a senhora, já de idade assentiu com uma abano de cabeça, e disse ela mesma "nem eu com 67 anos, sei nada da vida ou do que é o amor", esbocei um sorriso e fiquei o resto do meu dia a pensar sobre o que a senhora me teria dito. O que conclui não  foi nada comparado com a intensidade da frase, mas constatei que não estava pronta para assumir nada, alias ninguém tão novo estaria.
  O tempo passou e dei por mim a pensar cada vez mais naquela situação, era como que cada vez que me lembrasse, parasse no tempo, não sei bem, era como se algo me puxasse e me fizesse viver aquilo noutra expectativa, ainda agora enquanto escrevia me recostei na cadeira, fechei  os olhos e foi como que tudo tivesse acontecido outra vez...
  Agora depois de tudo o que já se passou, dos momentos que já vivi, das historias que tenho para um dia contar a quem me vai ser tudo, e que agora conto a quem vai seguir o resto deste caminho comigo. Agora paro no tempo, mas não para me lembrar do que um dia aquela senhora me disse, mas sim para descrever os meus sentimentos, paro no tempo para demonstrar aos outros o que eu sinto e que nos últimos tempos tenho mudado por aquilo que nunca quis mudar, mas a vida ensinou-me que se eu quero ser feliz tenho de me moldar aos outros, e então eu moldei, não aqueles que um dia me fizeram chorar, que me atraiçoaram, que me diziam enumeras coisas bonitas e  afinal não eram só para mim essas mesmas coisas, que diziam dar tudo e que no fim não deram nada, aqueles pelos quais eu cometi loucuras, por aqueles que viravam o mundo ao contrario e no fim, nem foram capazes de estar ali.
   De momento já não me acho uma simples miúda que não sabe o que é a vida, ou muito menos o que é o amor, sei que para muitos sou apenas uma rapariga de 16 anos cujos problemas são medíocres, não fazem sentido, mas o que eles não sabem e espero que não desconfiem é que esses mesmos problemas não são assim tão mínimos como os pintam, são problemas que me fazem aprender, que me demonstram que não devemos confiar em toda a gente, são estes problemas que me fazem crescer, são os problemas de hoje que me vão ajudar a resolver o problemas de amanha.
  E no fim por muito que eu quisesse esconder não conseguia, porque amar, é como ser gordo, não se esconde. Agora posso falar sobre a vida, porque já a vivi, de uma forma diferente é certo mas vivi, não sofri para ter certas coisas como os meus pais sofreram, não passei fome, não passei sede, sempre tive algo que vestir,  e sitio para dormir, mas já sofri, não só por amor, mas também porque o destino assim o quis. Posso falar, agora também, sobre o amor, não quer dizer que escreva muito pois este não se explica sente-se.
  Contudo o que já se passou comigo, com todo os sentimentos que já me invadiram, posso responder segura, que poder amar toda a gente pode, mas saber amar, nem toda a gente sabe.