“O que achavas se te disse-se que todas as noites sonho
contigo? E se te disse-se que sinto a saudades de falar contigo? E se te
disse-se ainda que desde o primeiro instante achei que eras diferente, que
tinhas algo que despertou a minha atenção? E ainda que tentei me afastar
mas que todos os acontecimentos do meu dia têm, por associação, me têm levado até
ti? Pois é, ficarias certamente sem qualquer reacção, eu também ficaria se
recebe-se uma mensagem destas, com uma declaração inoportuna, mas sinceramente
não há o momento certo. Tentei enviar-te essa mensagem em outro momento, noutra
situação, com outros propósitos, mas simplesmente não consegui. Tentei até mudar
o meu pensamento, e ser eu desta vez a arriscar, mas mais uma vez surgiu o medo
e a falta de coragem. Porque? Não sei, só sei que sempre que tentava enviar-te
uma mensagem, era invadida por um aperto no peito e era então que surgia uma lágrima por falta de capacidade para correr atrás do que eu realmente quer(o)ia.
Desculpa …”

Foram muitas as vezes que corri até ao telemóvel, que escrevi
tudo o que sentia e que simplesmente não tive coragem para enviar. Não me faltavam
palavras, não me faltavam expressões, até já aprendi que não importa como começar,
importa apenas começar. Mas mesmo com tudo o que realmente era preciso, contínuo
com falta de coragem, já a escrevi, já a estive para enviar, já me convenci que
se não lutar, nunca irei ter nada, mas também já sofri e isso segue de exemplo
para tudo o resto. E agora? Se calhar resta-me perguntar-me a mim mesma todos
os dias, se valerá a pena clicar no botão “enviar” ….