quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Se é?

Se é estranho? Admito que talvez seja. Se ninguém compreende? Digo que não é para compreender. Se não se explica? Eu digo que não há maneira como. Se é o verdadeiro? Digo-te que sofro porque sei que não te tenho. Se é difícil? Digo-te que chego até a chorar. Se é medo? Eu digo-te que é mais falta de coragem. Se é verdade? Eu digo-te que é realmente. Se é algo? Eu digo-te que chega a ser algo demais. Se realmente te amo? Eu digo-te que amor ainda não é, mas que amor poderia vir a ser. 

Leonor Silva 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

(Falta) A Coragem


“O que achavas se te disse-se que todas as noites sonho contigo? E se te disse-se que sinto a saudades de falar contigo? E se te disse-se ainda que desde o primeiro instante achei que eras diferente, que tinhas algo que despertou a minha atenção? E ainda que tentei me afastar mas que todos os acontecimentos do meu dia têm, por associação, me têm levado até ti? Pois é, ficarias certamente sem qualquer reacção, eu também ficaria se recebe-se uma mensagem destas, com uma declaração inoportuna, mas sinceramente não há o momento certo. Tentei enviar-te essa mensagem em outro momento, noutra situação, com outros propósitos, mas simplesmente não consegui. Tentei até mudar o meu pensamento, e ser eu desta vez a arriscar, mas mais uma vez surgiu o medo e a falta de coragem. Porque? Não sei, só sei que sempre que tentava enviar-te uma mensagem, era invadida por um aperto no peito e era então que surgia uma lágrima por falta de capacidade para correr atrás do que eu realmente quer(o)ia.  Desculpa …”

                                          


  Foram muitas as vezes que corri até ao telemóvel, que escrevi tudo o que sentia e que simplesmente não tive coragem para enviar. Não me faltavam palavras, não me faltavam expressões, até já aprendi que não importa como começar, importa apenas começar. Mas mesmo com tudo o que realmente era preciso, contínuo com falta de coragem, já a escrevi, já a estive para enviar, já me convenci que se não lutar, nunca irei ter nada, mas também já sofri e isso segue de exemplo para tudo o resto. E agora? Se calhar resta-me perguntar-me a mim mesma todos os dias, se valerá a pena clicar no botão “enviar” ….

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Como Começar?

 
    Como começar? É esse mesmo o meu maior problema. Não é o que escrever, como escrever, para quem escrever. Não são as palavras que hei-de usar ou a forma como as utilizar. Não é ausência de imaginação, de sentimento ou de emoção. Não é dificuldade na escolha das palavras e muito menos dificuldade em exprimi-las. O problema é somente começar, agarrar no papel e numa caneta e escrever a primeira palavra. Será falta de convicção? Será falta de confiança? Será medo da tua reacção? Não consigo definir nenhuma explicação plausível para não conseguir começar.
   Gostava de ser como os outros e conseguir sentar-me diante do papel e escrever à cerca da pessoa que me tem feito sonhar acordada. Gostava de ter a coragem dos loucos apaixonados para poder confessar a alguém a forma como penso nela todos os dias. Gostava de ter confiança em mim e no meu instinto para professar palavras certas em momentos oportunos. Mas mais uma vez surge o problema de como começar.
   Dizem os outros, que é fácil de descrever os sentimentos, que são emoções que rapidamente se transportam para o papel, de certo não discordo mas por completo não concordo, porque existe sempre a sombra do problema, de como começar.

   É esse o mesmo problema que tenho quando me pedem para dizer o que sinto e é também esse  problema que tenho quando é necessário exprimir uma opinião, não quer dizer que o sentimento não exista, ou até que não  tenha opinião, segue apenas mais uma vez um só único problema.  Como começar?