quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ao longo do tempo



E ali estava ela, com os seus cabelos negros ao vento, sentada na berma do passeio, em pânico sem saber o que fazer, e sem ninguém para lhe dar um misero conselho, deparou-se sozinha ainda que por la passassem ate algumas pessoas.
Ouviu um barulho de um carro e levantou-se, pensando que era o seu tao esperado amigo, para seu mal e meu bem não era ele. Desalmada começa a correr sem qualquer direção, quando vira uma esquina e esbarre contra mim… Foi a primeira vez em que lhe olhei nos olhos, vez essa que despertou algo em mim, algo estranho, mas bom. Os seus olhos eram azuis, um azul torquesa que faria alucinar qualquer pobre rapaz como eu, os seus lábios eram algo de outro mundo, nunca tivera visto nenhum ser tão perfeito como ela … Nervosa pediu-me desculpa, demorei um certo tempo em lhe responder, pois perdi-me na doçura do seu rosto.
Esse dia passou e sem eu dar conta adormeci a pensar nela, e na forma meio estupida que lhe tivera respondido, alguém tão belo como ela não merecia ser tratada de tal forma. Portanto assim que me levantei no dia seguinte pus-me a caminho daquela esquina. Esperei horas e horas e nada sabia da tal rapariga.
Decidi fazer mais que isso, e então perguntei a todas as pessoas que conhecia se sabiam quem ela era, descrevia-a como uma deusa, uma musa, e todos os meus amigos se deram ao trabalho de dizer que eu estava apaixonado, e eu como tudo aquilo tinha acontecido tão rapidamente, negava e voltaria a negar se fosse hoje e tivesse oportunidade de o viver de novo, pois foi essa negação que me levou mais tarde a conquistar o que eu queria.
Sem me aperceber, o destino brincou comigo, à mesma hora do dia anterior a rapariga que eu descrevia como perfeita, estava sentada exatamente no mesmo sítio, mas desta vez não era medo que transparecia do seu belo rosto, eu mesmo sentia que algo não estava bem, que tinha de fazer algo para o contrariar. Foi então que me enchi de coragem e me sentei a seu lado. Com uma voz melancólica, me pediu de novo desculpa. Eu arrependido por não lhe ter dito mais nada na última vez, coloquei os meus braços a volta dos seus ombros e disse-lhe “És bela demais para chorar e nova de mais para sofrer”, ela não percebeu onde eu queria chegar, mas também não lhe descodifiquei por completo o objetivo de tal filosofia. Despedi-me dela com um Soave e carinhoso beijo na face.
Passando aquela tarde, chegou a hora de me ir deitar não me vinha mais nada a cabeça a não ser aqueles pequenos momentos dos dias anteriores, e não  seria de espantar que nessa mesma noite sonhasse com ela. No dia seguinte era a derradeira segunda-feira, aquela que ninguém gostava, nem mesmo eu, mas como andava em pulgas para voltar a ver a tal rapariga, ate da segunda-feira comecei a gostar…
Assim que cheguei a escola deparei-me com muitas outras raparigas pelos corredores onde passava, os meus amigos agora contam-me que eu parecia obcecado, mas eu tinha uma missão para aquele dia. Quando já estava ao seu lado, olhei-a de novo nos olhos e perguntei-lhe o seu nome, ela corou um pouco e disse baixinho “Catarina, o meu nome é Catarina”, sorri para a deixar a vontade e disse cheio de coragem, “Eu sou o Martim, e desculpa por te ter deixado ontem la sentada…”, ela interrompeu-me e disse “ foi muito simpático da tua parte em te teres sentado la, em te teres preocupado comigo”, eu para lhe responder usei uma das minhas frases feitas “ quero que essa minha preocupação se torne num dever”, as suas sobrancelhas franziram e eu fiquei com um pouco de medo sem conseguir dizer mais nada. Acho que ela se apercebeu do meu estado meio embaraçado e começou-se a rir. Retomou a conversa dizendo “será que mais logo terei o prazer de te encontrar de novo e ouvir mais uma das tuas filosofias?” sorri e com algum medo da sua reação perante o pedido que lhe queria fazer. Ganhei coragem e arrisquei “És diferente das raparigas que estou habituado a falar, por isso estou um pouco envergonhado…”, eu queria continuar mas ela interrompeu-me para me perguntar o porque de ela ser diferente, e como não poderia deixar de acontecer usei mais uma vezes, uma das minhas frases feitas, dizendo-lhe “ o futuro te insinara que tudo é importante e diferente” .
E ali estava eu, dentro do carro a porta de casa da Catarina a espera que ela chegasse perto de mim, tal não foi o meu espanto quando os pais dela abrem a porta e me convidam para entrar, fiquei sem pinga de sangue, mas como bom rapaz que me considerava, não ia deixar os pais da tal rapariga encantadora com uma ma impressão da minha parte. Entrei, e não estive com as mordomias como se eles fossem o presidente da república e a primeira-dama, mas também não os tratei como se fossem o coveiro da aldeia. Estabeleci uma distância deles, pois o Sr. e a Sra. Lourenço eram umas pessoas acessíveis mas ao mesmo tempo requeriam um respeito e eu só teria de o aceitar, nem iria se capaz de não o fazer.
Conversa e mais conversa, chega a tão esperada hora, sim aquela em que a Catarina desce a escalas, e se demonstra ainda mais bela, nem sei como naquele momento não me babei. Sai-mos de sua casa e levei-a ao bar que eu mais gostava, não só para meu espanto mas também para gosto, ela adorou aquele sítio, e prometi-lhe logo que não iria ser a única vez que la iriamos ir. Falamos de muitas das nossas experiencias e partilhamos as nossas historias de vida, foi então que percebi o porque do seu choro no passeio, e foi então que a acalmei.
Ensinamos maior parte do que sabemos um ao outro, partilhamos histórias de vida que nunca foram partilhadas com mais ninguém, foi então que me apercebi que os meus amigos tinham mesmo razão, estava completamente apaixonado, acho foi a primeira vez que me vi assim, foi a primeira vez que amei alguém tão de verdade como amei esta rapariga. Catarina é a mulher dos meus sonhos, a tão perfeita catarina.
No dia seguinte convidei-a para irmos jantar fora, o que ela não sabia foi que eu tinha reservado o tal bar só para nos, sim fiz-lhe uma surpresa magnifica ate fiquei espantado comigo mesmo, não sabia onde estavam estes dotes. Ali se acabaram os choros, os medos, as vergonhas… Pois ali provamos um ao outro que nos amávamos, sendo o primeiro dos dias mais felizes da minha vida. De manha quando acordamos e observamos que aquilo era mesmo verdade, mais uma vez me enchi de coragem e lhe disse “ Catarina, eu amo-te, ficas comigo?” ela sorriu, beijou-me, e respondeu “ Martim, eu amo-te, e sim fico contigo!”.

Agora  depois de todos esses tempos, estou eu no hospital, a espera que o terceiro dia mais feliz da minha vida se suceda, sim nos casamos e este vai  ser o nosso primeiro filho, a união daqueles pobres amigos, que um dia chocaram por acaso e se apaixonaram a primeira vista. por isso “ Quando o amor é forte e verdadeiro, muitas coisas viram, mas continuara tudo por inteiro!”

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