E ali estava ela, com os seus
cabelos negros ao vento, sentada na berma do passeio, em pânico sem saber o que
fazer, e sem ninguém para lhe dar um misero conselho, deparou-se sozinha ainda
que por la passassem ate algumas pessoas.
Ouviu um barulho de um carro e
levantou-se, pensando que era o seu tao esperado amigo, para seu mal e meu bem
não era ele. Desalmada começa a correr sem qualquer direção, quando vira uma
esquina e esbarre contra mim… Foi a primeira vez em que lhe olhei nos olhos,
vez essa que despertou algo em mim, algo estranho, mas bom. Os seus olhos eram
azuis, um azul torquesa que faria alucinar qualquer pobre rapaz como eu, os
seus lábios eram algo de outro mundo, nunca tivera visto nenhum ser tão
perfeito como ela … Nervosa pediu-me desculpa, demorei um certo tempo em lhe
responder, pois perdi-me na doçura do seu rosto.
Esse dia passou e sem eu dar conta
adormeci a pensar nela, e na forma meio estupida que lhe tivera respondido,
alguém tão belo como ela não merecia ser tratada de tal forma. Portanto assim
que me levantei no dia seguinte pus-me a caminho daquela esquina. Esperei horas
e horas e nada sabia da tal rapariga.
Decidi fazer mais que isso, e
então perguntei a todas as pessoas que conhecia se sabiam quem ela era,
descrevia-a como uma deusa, uma musa, e todos os meus amigos se deram ao
trabalho de dizer que eu estava apaixonado, e eu como tudo aquilo tinha
acontecido tão rapidamente, negava e voltaria a negar se fosse hoje e tivesse
oportunidade de o viver de novo, pois foi essa negação que me levou mais tarde
a conquistar o que eu queria.
Sem me aperceber, o destino
brincou comigo, à mesma hora do dia anterior a rapariga que eu descrevia como
perfeita, estava sentada exatamente no mesmo sítio, mas desta vez não era medo
que transparecia do seu belo rosto, eu mesmo sentia que algo não estava bem,
que tinha de fazer algo para o contrariar. Foi então que me enchi de coragem e
me sentei a seu lado. Com uma voz melancólica, me pediu de novo desculpa. Eu
arrependido por não lhe ter dito mais nada na última vez, coloquei os meus
braços a volta dos seus ombros e disse-lhe “És bela demais para chorar e nova
de mais para sofrer”, ela não percebeu onde eu queria chegar, mas também não
lhe descodifiquei por completo o objetivo de tal filosofia. Despedi-me dela com
um Soave e carinhoso beijo na face.
Passando aquela tarde, chegou a
hora de me ir deitar não me vinha mais nada a cabeça a não ser aqueles pequenos
momentos dos dias anteriores, e não seria de espantar que nessa mesma noite
sonhasse com ela. No dia seguinte era a derradeira segunda-feira, aquela que
ninguém gostava, nem mesmo eu, mas como andava em pulgas para voltar a ver a
tal rapariga, ate da segunda-feira comecei a gostar…
Assim que cheguei a escola
deparei-me com muitas outras raparigas pelos corredores onde passava, os meus
amigos agora contam-me que eu parecia obcecado, mas eu tinha uma missão para
aquele dia. Quando já estava ao seu lado, olhei-a de novo nos olhos e
perguntei-lhe o seu nome, ela corou um pouco e disse baixinho “Catarina, o meu
nome é Catarina”, sorri para a deixar a vontade e disse cheio de coragem, “Eu
sou o Martim, e desculpa por te ter deixado ontem la sentada…”, ela
interrompeu-me e disse “ foi muito simpático da tua parte em te teres sentado
la, em te teres preocupado comigo”, eu para lhe responder usei uma das minhas
frases feitas “ quero que essa minha preocupação se torne num dever”, as suas
sobrancelhas franziram e eu fiquei com um pouco de medo sem conseguir dizer
mais nada. Acho que ela se apercebeu do meu estado meio embaraçado e começou-se
a rir. Retomou a conversa dizendo “será que mais logo terei o prazer de te
encontrar de novo e ouvir mais uma das tuas filosofias?” sorri e com algum medo
da sua reação perante o pedido que lhe queria fazer. Ganhei coragem e arrisquei
“És diferente das raparigas que estou habituado a falar, por isso estou um
pouco envergonhado…”, eu queria continuar mas ela interrompeu-me para me
perguntar o porque de ela ser diferente, e como não poderia deixar de acontecer
usei mais uma vezes, uma das minhas frases feitas, dizendo-lhe “ o futuro te
insinara que tudo é importante e diferente” .
E ali estava eu, dentro do carro a
porta de casa da Catarina a espera que ela chegasse perto de mim, tal não foi o
meu espanto quando os pais dela abrem a porta e me convidam para entrar, fiquei
sem pinga de sangue, mas como bom rapaz que me considerava, não ia deixar os
pais da tal rapariga encantadora com uma ma impressão da minha parte. Entrei, e
não estive com as mordomias como se eles fossem o presidente da república e a
primeira-dama, mas também não os tratei como se fossem o coveiro da aldeia.
Estabeleci uma distância deles, pois o Sr. e a Sra. Lourenço eram umas pessoas
acessíveis mas ao mesmo tempo requeriam um respeito e eu só teria de o aceitar,
nem iria se capaz de não o fazer.
Conversa e mais conversa, chega a
tão esperada hora, sim aquela em que a Catarina desce a escalas, e se demonstra
ainda mais bela, nem sei como naquele momento não me babei. Sai-mos de sua casa
e levei-a ao bar que eu mais gostava, não só para meu espanto mas também para
gosto, ela adorou aquele sítio, e prometi-lhe logo que não iria ser a única vez
que la iriamos ir. Falamos de muitas das nossas experiencias e partilhamos as
nossas historias de vida, foi então que percebi o porque do seu choro no
passeio, e foi então que a acalmei.
Ensinamos maior parte do que
sabemos um ao outro, partilhamos histórias de vida que nunca foram partilhadas
com mais ninguém, foi então que me apercebi que os meus amigos tinham mesmo
razão, estava completamente apaixonado, acho foi a primeira vez que me vi
assim, foi a primeira vez que amei alguém tão de verdade como amei esta
rapariga. Catarina é a mulher dos meus sonhos, a tão perfeita catarina.
No dia seguinte convidei-a para
irmos jantar fora, o que ela não sabia foi que eu tinha reservado o tal bar só
para nos, sim fiz-lhe uma surpresa magnifica ate fiquei espantado comigo mesmo,
não sabia onde estavam estes dotes. Ali se acabaram os choros, os medos, as
vergonhas… Pois ali provamos um ao outro que nos amávamos, sendo o primeiro dos
dias mais felizes da minha vida. De manha quando acordamos e observamos que
aquilo era mesmo verdade, mais uma vez me enchi de coragem e lhe disse “
Catarina, eu amo-te, ficas comigo?” ela sorriu, beijou-me, e respondeu “
Martim, eu amo-te, e sim fico contigo!”.
Agora depois de todos esses tempos, estou eu no
hospital, a espera que o terceiro dia mais feliz da minha vida se suceda, sim
nos casamos e este vai ser o nosso
primeiro filho, a união daqueles pobres amigos, que um dia chocaram por acaso e
se apaixonaram a primeira vista. por isso “ Quando o amor é forte e verdadeiro,
muitas coisas viram, mas continuara tudo por inteiro!”
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